IMATURIDADE DA SOJA: PESQUISADOR DA EMBRAPA EXPLICA O PROBLEMA, QUE ATINGE PRINCIPALMENTE A INDÚSTRIA E AS PRODUÇÕES DO PARANÁ

As mudanças ocorridas no sistema de cultivo da soja, desde 1.990, acarretaram em resultados que, por vezes, comprometem a produção. A desuniformização da soja é um exemplo do que vem ocorrendo.

 

Nos últimos anos, há relato de um aumento no numero de plantas com maturação desuniforme. “No processo de maturação, a semente passa da cor verde para a amarela. Muitos fatores bióticos e abióticos interferem nessa maturação. Diversas empresas espalhadoras de soja têm informado sobre a presença de grãos verdes maiores do que o normal. Normalmente essa ocorrência está associada com a cultivar realizada e com fungicidas”, explica o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Soja, Antonio Eduardo Pipolo. Essa falta de maturação da planta se reflete em folhas, hastes e vagens verdes, mesmo depois da lavoura alcançar sua maturidade considerada normal.

De acordo com o pesquisador, esse problema atinge a indústria principalmente, pois embucha o sistema de recebimento. A clorofila dos grãos escurece o óleo e aumenta os custos para clarear a produção. “Esse tipo de problema pode acontecer em todas as regiões do Brasil, mas as regiões que plantam safrinha do milho são as que mais relatam”, explica. As localidades de climas mais quentes, de relevos mais baixos, onde ocorre o stress hídrico, também ocasionam a desuniformização. “Para poder plantar o milho safrinha sem pegar geada, a soja é plantada antecipadamente, e isso faz com que a colheita caia em meses chuvosos, como no mês de fevereiro principalmente, o que dificulta a maturação”. A semeadura antecipou de 20 a 30 dias, para que houvesse viabilização de duas safras por ano.

Os percevejos em alta população já foram apontados como causa do problema, porém, nos últimos anos, o sintoma aconteceu em áreas onde não haviam essa praga. Na safra 2.013/2.014, Pípolo fez esse diagnóstico em regiões com falta de água, que provocou a morte de plantas e de grãos ainda verdes”.

Para Pipolo, diversos fatores levam à desuniformização da soja, e isso faz com que o problema se torne ainda mais complexo e difícil de ser resolvido. “A nível de indústria, essa vagem verde teria que ser tirada. Para resolver o problema deveria ter um equipamento que retire essa soja do fluxo normal de recebimento. Geralmente as empresas não tem esse equipamento, que seria de beneficiamento de grãos. No caso da lavoura, tem algumas colheitadeiras mais novas, que fazem um trabalho mais eficiente, que tiram parte dessa vagem”. “É um desafio encontrar solução para os grãos já armazenados e diminuir a perda de qualidade e quantidade”, finaliza.

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Da Redação

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