DEDO DE PROSA: RUMOS NOVOS À SUINOCULTURA BRASILEIRA

O mais importante é levar a informação e a condição, para que os pequenos, médios e grandes produtores possam sim, adquirir e se adequar a novos modelos. Informação é a grande palavra, é muito importante.

Revista Rural: A Rússia proibiu as importações das carnes bovinas, suínas, de aves, pescado e leite provenientes dos Estados Unidos, União Européia, entre outros países que anunciaram sanções nas áreas de finanças, tecnologia e defesa. Isso gerou uma oportuidade grande para o Brasil, uma vez que a Rússia permitiu que os produtos lácteos sem lactose, concentrados de proteína e outros produtos antes proibidos voltem a ser comprador via Brasil. Essa medida poderá beneficiar nosso país?

Marcelo Dias Lopes: Não tenha dúvida, esse embargo aos outros países vem de encontro com aquilo que nós já estávamos preparados, que é fornecer carne para o mundo, não só para a Russia. A única coisa que eu sempre venho alertando por toda a cadeia, para nós todos, é que a Russia não tem muita Constancia nas relações comerciais, então é importante que aproveitemos o momento, é importante que nos dediquemos à isso, mas sempre com o pé no chão e com outras variáveis. Que a gente não feche os olhos para os demais países também, que são países que estão sempre com demanda pelos nossos produtos.

Revista Rural: Qual é a maior cautela que o Brasil precisa ter para essa exportação ser contínua?

Lopes: Num primeiro momento acho que ter firmeza nas relações contratuais. Nos não podemos mais ficar passivos a esses movimentos contratuais, que muitas vezes a Russia entra com argumentos sanitários que não são verdadeiros, então, é ter firmeza nisso aí, e aproveitar sempre esse momento que o país está vivendo, é ser duro nas relações comerciais, que uma vez estabelecida uma demanda, ela tem que ser cumprida à risca, e ai tem que existir penalidade não só para nós, mas para eles também, e que o Brasil seja forte para isso.

Revista Rural: O Brasil tem condições de exportar com quantidade suficiente para atender esse país?

Lopes: Acho que no momento não na totalidade que eles querem. Mas podemos construir isso, principalmente na questão da suinocultura. À medida que essas demandas forem se concretizando e se mostrarem consistentes, nós temos todas as facilidades de crescer e atender.

Revista Rural: Essa é uma boa oportunidade para o suinocultor exportar para outros países?

Lopes: Não tenha dúvida disso. Nós estamos aí atendendo todas as especificações sanitárias mundiais, haja visto já entregando para o Japão, que é o maior importador  e um dos mais exigentes, e correr atrás, sem dúvida nenhuma, dos demais países que importam carne suína, porque nós temos condições de atendê-los.

Revista Rural: Quais são os demais países que podem abrir novos mercados para o Brasil?

Lopes: Coreia do Sul está chegando, a própria China, que estamos entrando via Hong Kong, temos grandes possibilidades de abrir mercado, os países da Africa também. É preciso fortalecer essas relações e entrar de uma forma definitiva nesses países.

Revista Rural: Quais são as estratégias traçadas aqui para motivar p mercado da suinocultura brasileira?

Lopes: Estamos vivendo um momento muito bom de remuneração. Nós precisamos ter uma política pública voltada à pecuária brasileira. O governo precisa dar atenção à pecuária. Nós não podemos oscilar com as commodities agrícolas como vemos acontecer. Por mais que isso tenha oscilação mundial, nós precisamos ter um subsidio do governo, para que não tenhamos muitas variáveis nesses preços. O dia que o Ministério da Agricultura passar a observar isso com mais carinho, nós não vamos vender mais as commodities, nós vamos uma matéria agregada que é a carne, nós vamos ganhar isso.então, o principal fato é montar uma política pública voltada à pecuária brasileira.

Revista Rural: Recentemente houve uma campanha para estimular o consumo da carne suína brasileira com o slogan “Carne Suína é Dez”. Qual é o resultado dessa campanha?

Lopes: É um resultado brilhante! É uma campanha de um grande sucesso não só no país, mas no mundo! Nós já estamos exportando isso para a Europa, para os Estados Unidos, muitas associações desses países estão vindo ao Brasil para pegar isso, e é um sucesso para nós, no consumo interno, principalmente para a visibilidade da carne suína para o nosso consumidor. Ele (consumidor) precisa entender que se nós estamos fornecendo essa carne para um país como é o Japão, extremamente exigente, por que não consumir aqui? Por que não aumentar nosso consumo interno, tendo em vista que nós só consumimos 15 quilos per capita, muito aquém de muitos países europeus que consomem até 70, 80 quilos?

Revista Rural: Sobre a diarreia epidêmica suína (PED), o governo não implantou medidas restritivas aos países que têm esse histórico de doença. Isso preocupa os produtores? O que pode ser feito?

Lopes: Primeiro temos que ter todas as informações possíveis, inclusive nosso diretor executivo esteve nos Estados Unidos, num congresso sobre a PED, exatamente para trazer mais informações, e aí o que nós temos que fazer é ter cuidado, preservar os nossos ambientes sanitários aqui. O governo está fazendo a parte dele, com os trâmites de limitações nas fronteiras, agora, cabe a nós cuidarmos dos acessos, não deixarmos pessoas estranhas terem acesso aos nossos rebanhos, isso é muito importante. A conscientização do produtor, no sentido de restringir a ida e vinda de pessoas estranhas é muito importante para que não sejamos atingidos.

Revista Rural: Esse momento bom da suinocultura diminui o endividamento do setor adquirido em 2.012?

Lopes: Posso te dizer que existe uma recuperação. Claro que ainda existem dívidas, as pessoas estão conseguindo capitalizar, diminuir essas dívidas, agora, é um processo. Nós tivemos aí apenas um ano e meio de, digamos, um mar calmo, onde conseguimos remunerar, por alguns investimentos, e a intenção é que isso permaneça. Acredito sim, que permanecendo assim por um tempo, mais uns dois ou três anos de estabilidade, não precisa ser num pico, que hoje vivemos um pico de preço, e acredito que isso vá se acomodar, mas que dê uma rentabilidade, eu acho que as pessoas vão se acomodando e as dívidas vão diminuindo sem dúvida nenhuma e nós vamos passar a ter novos investimentos. 

Revista Rural: O que falta em questões tecnológicas para a produtividade aumentar na suinocultura?

Lopes: Creio que precisamos levar mais informação. Tecnologia nós já temos bastante, não só aqui como no mundo, e acesso a ela nós também temos. O que precisamos, é primeiro viabilizar isso economicamente, para os pequenos e médios produtores, que são a grande maioria dos nossos suinocultores. Então, novas tecnologias, nós já temos acesso. Elas aparecem todos os dias. O mais importante é levar a informação e a condição, para que os pequenos, médios e grandes produtores possam sim, adquirir e se adequar a novos modelos. Informação é a grande palavra, é muito importante.

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Da Redação

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