SETOR SUCROALCOOLEIRO É DISCUTIDO EM EVENTO

A Conferência Internacional da Datagro sobre açúcar e etanol, que aconteceu no mês de outubro em São Paulo, reuniu autoridades do agronegócio, e especialistas no segmento da cana-de-açúcar.

Na abertura, o presidente da consultoria de etanol e açúcar Datagro, Plínio Nastari, disse que o setor vive “a pior crise da história”, pelos preços não atrativos do açúcar e pelas políticas públicas deficientes. De acordo com Nastari, a estimativa para a safra da moagem da cana-de-açúcar 2.014/2.015 será de 550,2 milhões de toneladas para a região Centro-Sul, que é a principal produtora. Nastari projetou também uma moagem de cana no mesmo local, entre 530 e 560 milhões de toneladas para a safra 2.015/2.016. Ele acredita que a seca deve atrapalhar a produção nas próximas safras.

O anfitrião do evento afirmou ainda que uma economia livre só será forte se tiver uma regulação mínima e que estabeleça as regras para que os todos consigam cooperar nesse mercado de forma equilibrada e competente, cada um buscando aproveitar suas competências dentro do mercado. “O que não pode acontecer é o que assistimos nos últimos anos, num setor importante como esse ter como seu principal competidor o próprio governo, que acaba subsidiando o preço do produto na bomba, no caso a gasolina, e que não compreende as vantagens do produto que esse setor fabrica”, disse.

O evento, que teve como tema central “Desafios e oportunidades: planejando para o futuro”, contou com a participação de personalidades do agronegócio, como Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e presidente do conselho da Única, que afirmou que, como produtor rural, vê com otimismo a possibilidade de reconhecimento do governo com relação à valorização do setor para o desenvolvimento econômico. “O que falta para nós é uma definição de estratégia definitiva”, disse. “Conseguir juntar todo mundo numa mesma estratégia é o que me parece o grande desafio do setor. Se nós tivermos competência para negociar dentro da cadeia produtiva, ouvindo todos os atores, como distribuidores e postos de gasolina, nós vamos construir um Brasil muito melhor”.

O congresso discutiu temas como tendências do mundo, qual o posicionamento do setor na sociedade, trading, o futuro do etanol hidratado, tecnologia automotiva, mercado de etanol, meio ambiente, finanças e tecnologia. Para André Luiz Baptista Lins Rocha, presidente do Fórum Nacional de Sucroenergético, e presidente-executivo dos Sindicatos da Indústria de Fabricação de Açúcar e de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar), “nós tivemos uma crise há 14 anos que custou, na época, 21 bilhões de reais. Hoje nós temos uma crise de energia que custou mais de cem, e não está resolvida. A partir de janeiro do ano que vem nos vamos viver, a princípio, com sistema de bandeiras tarifárias, onde todo mundo vai pagar uma conta alta de energia, e o esforço individual de economizar não vai ser válido, ao contrário de catorze anos atrás. Temos uma crise de energia e torço para que possamos discutir esse setor”, explicou, acrescentando que num pais que cresce 0,3%, o primeiro setor afetado é o de engenharia e projetos. 

Mario Campos Filho, presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool e do Sindicato da Indústria do Açúcar no estado de Minas Gerais, disse que na capital Belo Horizonte, muitas bombas de etanol foram substituídas por gasolina aditivada, e isso o preocupa. Porém, se “conseguirmos tornar o etanol novamente competitivo, será fácil reverter a situação”. 

Ana Paula Malvestio, líder de agribusiness da PwC Brasil, explicou que o mercado consumidor é o mesmo mercado produtor, e divulgou que o Estados Unidos da América consome cerca de 52 bilhões de litros e Brasil consome cerca de 22 bilhões de litros. “Importante destacar que temos aqui 88% da produção de etanol, entre Brasil e Estados Unidos, e que o Brasil perdeu a posição de maior produtora a partir de 2.007”. Num demostrativo da safra 2.013/2.014, a executiva mostrou que o nosso país saiu de 10 para 27,5 bilhões em termos de produção, e Estados Unidos, que produzia cerca de 50,3 bilhões de litros, obteve um crescimento de 725%, segundo ela “um crescimento vertiginoso”.

De acordo com a profissional, o Brasil possui cerca de 400 unidades produtoras, são utilizados 9 milhões de hectares de cana para produção de etanol, sendo basicamente uma produção de etanol simultânea com o açúcar, “isso é uma característica também muito peculiar brasileira”, e possui três plantas entrando em produção em 2.104.

A conferência contou com mais de 600 pessoas, dentre autoridades e profissionais do setor sucroalcooleiro.

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Da Redação

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