BALANÇO PECUÁRIA: AS PECUÁRIAS E A CANA DO BRASIL

Após um 2013 atípico, o ano de 2014 voltou a ser de estabilidade e normalidade na pecuária brasileira, seja ela a leiteira, ou de corte. O País viveu na última temporada momentos de empolgação por parte dos produtores e fazendeiros espalhados pelos quatro cantos. Além disso, o setor de cana-de-açúcar também passou por momentos de turbulência, e espera um 2015 melhor.

 

Pecuária leiteira

“Foi um ano de baixa pressão sobre os preços, devido a considerável oferta de leite”, declara o zootecnista e analista de mercado da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro de Lima Filho. Segundo ele, apesar da estiagem no começo do ano, o que atrapalhou a produção, o preço subiu devido ao bom ano de 2013 e isso gerou investimento do produtor, tanto na área de nutrição, quanto na área de genética. “Além disso, tivemos em 2014 compra de insumos mais baratos, o que também é positivo”. Ainda à espera do fechamento dos números de dezembro, o País registrou aumento de cerca de10,1% da produção de leite entre as duas temporadas.

Para Rafael, o aumento da oferta de leite mostra a necessidade de buscar novas formas de agregar produção para o mercado interno e buscar novas vias pro mercado internacional. “Vimos que foi um ano complicado e justo para o pecuarista. Com isso, é necessário bastante planejamento em todos os pontos da linha de produção e venda do leite, para continuar crescendo nos cenários da pecuária”.

Quanto ao mercado externo, o analista diz que atualmente a Oceania é o maior exportador de leite, e, além disso, aumentou a ordem de produção. Rafael comenta que a China a cada dia mais vem se tornando uma grande força no mercado leiteiro mundial. “Também vale citar os Estados Unidos, com sua força no leite em pó, e, os países da União Europeia que apareceram bem em 2014”. Já o Brasil exporta muito pouco do que produz. “Temos questões a resolver com mercado internacional. A qualidade do leite tem que ser mostrada aos outros países. Somos o País com maior potencial de produção no mundo”, diz. 

Rafael visa que 2015 será um ano de cautela. “Temos que ficar com os olhares atentos aos investimentos que serão feitos. Isso porque as expectativas não são tão positivas”. Segundo ele, vai ser um ano de ofertas excessivas, e o preço instável do dólar deve inibir o mercado. “Por outro lado, o clima esse ano vai ser um pouco melhor. Já percebe-se que está chovendo em boa parte do Brasil, o que é bom para a produção nacional do leite”.

O gado de corte

2014 foi um ano bom para a pecuária de corte no País. Segundo Maurício Palma Nogueira, sócio coordenador de pecuária da Agroconsult, foi registrado no ano passado a melhora de rentabilidade na produção. “Então, em todas as atividades, recria, engorda e ciclo completo melhorou. Foi um ano favorável para aquele produtor que teve gado para vender”, diz.

Nogueira declara que em uma fazenda padrão de ciclo completo, o aumento chegou a ser de três vezes mais, quando comparado a 2013. “Ano retrasado, o preço foi de R$ 50,00 por arroba. Já ano passado esse valor subiu pra R$ 130,00”. Isso exemplifica a recuperação do pecuarista que vinha numa onda não favorável desde 2010.

O único ponto em que a cadeia sofreu negativamente, ficou por conta da quebra de produtividade devido à seca que atingiu as propriedades. “Parou de chover cedo, logo em janeiro e fevereiro. Isso foi sentido entre fevereiro, março e abril e afetou o mercado entre maio e outubro”. Nogueira diz que ainda não se sabe, mas esta seca pode ter afetado o nível de fertilidade das vacas, o que não é bem-vindo por todo mercado. “Somente em abril conseguiremos saber disso. Esperamos que esteja tudo bem”, declara.

O coordenador cita que em 2014 o brasileiro demandou mais carne, mas a oferta não conseguiu cobrir. “Os preços subiram devido a isso”. Ele diz que em 2013 o consumo per capita foi de 41,8 kg/ano. “Com isso, pensávamos que no ano seguinte teríamos fôlego para passar de 42,5 kg. Porém, com o problema da seca, tivemos menos produto a oferecer e o consumo caiu para 40,5 kg/ano”. Para 2015, Nogueira projeta novamente um bom ano para a cadeia, e declara que a demanda deve novamente crescer. “Não sabemos se teremos oferta o suficiente. Creio que até 41 kg/ano poderá ser atendido sem problemas”.

Já no que se refere à exportação da carne bovina, dados da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), apontam que com faturamento de US$ 558 milhões em exportações em novembro, o Brasil atinge a marca de US$ 6,5 bilhões no acumulado do ano. Isso é comparado à 2013, significa um aumento de 8,16%. Já em volume, foram exportadas 115,7 mil toneladas de carne bovina em novembro, registrando um total de 1,424 milhões de toneladas em 2014. Crescimento de 4% em relação ao período anterior. “Os cinco mercados que mais importaram carne bovina brasileira em 2014 foram Hong Kong, Rússia, União Europeia, Venezuela e Egito, com aumentos expressivos tanto em faturamento como em toneladas”, declara Antônio Jorge Camardelli, presidente da Abiec.

Para que esse resultado expressivo fosse atingido, Camardelli ressalta fatores positivos como a manutenção de seu status sanitário, a perenidade da oferta do produto para atender diferentes mercados, forte e contínua atuação conjunta do setor privado e do governo para reverter embargos, além da parceria com importantes mercados.

E o cenário continua positivo para 2015 com perspectivas ainda mais otimistas para superar novos recordes de exportações, tanto em faturamento, quanto em volume – previsão de atingir US$ 8 bilhões, e 1,7 milhão toneladas, respectivamente.  “A retomada de importantes mercados, como a China que suspendeu o embargo; e Irã e Egito, que ainda mantinham embargo para carne proveniente do Mato Grosso; bem como as perspectivas positivas para o anúncio do fim do embargo da Arábia Saudita e do Japão, nos permitem manter uma previsão muito boa para este ano”, finaliza o presidente.

Motivos para comemorar

Se as pecuárias não se animaram tanto assim com 2014, o mercado de suínos e frango não pode reclamar. Segundo Francisco Turra, presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), ambos setores tiveram boas marcas registradas e comemoram a temporada. 

“Na área de frango, tivemos um aumento de consumo atingindo os 43 kg. Isso se deve ao alto preço da carne bovina que pulou de R$ 45,00 a arroba para 145,00”. Segundo ele, o espaço foi ocupado pela carne de frango que caiu no gosto do consumidor brasileiro. “Com certeza foi melhor do que em 2013, onde vimos queda de consumo e, por consequência menores valores”, declara.

Com 4,1 toneladas exportadas para 150 países, o Brasil continua a liderar o segmento, em todo mundo. “Temos que dar ênfase pra China e Rússia, que são grandes consumidores”.

Já os suínos, segundo Turra tiveram no ano passado, sua temporada de ouro. Ele declara que houve recuperação de mercado, com mais volume de produção. Tivemos uma oferta e demanda muito grande. “Estávamos vindo da pior crise do setor, registrada em 2013, onde os investimentos foram quebrados”. Além disso, os produtores deram maior atenção para esse setor, e o Brasil se mostrou forte no mercado, exportando com intensidade para a Rússia.

Turra diz que o brasileiro olha com carinho para o consumo da carne de frango e porco. Segundo ele, há uma gama de pessoas que exigem o máximo da qualidade, sustentabilidade, entre outros pontos dos produtores e frigoríficos. “Então, tanto o produto, quanto os produtores são de extrema qualidade e profissionalismo”.

Para 2015, o presidente declara que o mercado está consciente da crise econômica que o País vem atravessando, mas mesmo assim, prevê que será um bom ano. “Podemos crescer cerca de 3% no frango, e 5% em suínos”.

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Da Redação

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